‘Esperamos um recorde de importação de gado brasileiro’

Paulo Palma Beraldo/Blog De Olho no Campo - 04/09/2017

SÃO PAULO – Milhares de bois e vacas brasileiros têm percorrido mais de 11 mil quilômetros em navios rumo ao Iraque. O motivo? A parceria comercial entre os dois países, que busca reconstruir o rebanho iraquiano, destruído pela guerra. Nos últimos cinco anos, quase dois milhões de animais perderam a vida com a devastação causada por extremistas do Estado Islâmico. Com o fim da guerra, o governo do Iraque vai reduzir os esforços em defesa e estimular a economia.

“O projeto busca, em um primeiro momento, reforçar a pecuária de corte e depois, a de leite”, explica Jalal Jamel Dawwod Chaya, vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil Iraque. O objetivo é dar condições de as pessoas voltarem para o campo, já que muitos deixaram tudo para trás para fugir das armas e bombas. O Iraque já importou animais do Sudão, Somália e da Índia, mas o gado brasileiro se deu melhor no país, principalmente em relação ao clima.

“Descobrimos um produto de qualidade, mais adaptado e de sabor melhor”, explica Jalal. Cerca de cinco mil animais por mês irão para o Iraque. “Esperamos um recorde este ano”. O governo local investirá US$ 400 milhões para apoiar projeto agropecuários no país de 37 milhões de habitantes.

Mapa do Iraque com as principais cidades. Reprodução/Internet
“Queremos criar relações duradouras entre os dois países”, diz Chaya. Ele explica que o Brasil conhece a tecnologia necessária para criar o gado, de forma que haverá espaço para a indústria de vacinas, de tecnologia e de ração. “Não é só vender o boi, mas mostrar como alimentar, explicar qual o melhor manejo, incentivar o consumo da carne, apresentar como preparar”, exemplifica.
Iraque quer diversificar economia, explica Jalal Chaya, vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil Iraque. Foto: Paulo Palma Beraldo/De Olho no Campo
Diversificação. A economia iraquiana tem uma forte dependência do petróleo, mas o preço da commodity caiu no mercado internacional – em 2011, estava na casa de US$ 120 – na média de 2017, está um pouco acima dos US$ 40. Por isso, o governo quer estimular a agricultura, a indústria e o setor de serviços.
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